Crítica de Ponta #183

Produzido pelo terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você!
Diferentes formas de fazer cinema em Ponta Grossa
Iniciativas utilizam de recursos públicos direcionados para a arte para entreter a população
Produzir cinema fora dos grandes centros ainda é um desafio, mas iniciativas como a do Coletivo Inajá, de Ponta Grossa, mostram que a produção audiovisual local pode ocupar diferentes espaços e experimentar novas narrativas. Os curtas Interlúdio e Poeira de Estrela, ambos de 2025 e produzidos com recursos da Lei Paulo Gustavo, apresentam histórias distintas, mas têm em comum personagens que enfrentam conflitos internos.
Em Interlúdio, dirigido por Paloma da Costa, uma jovem cantora retorna aos palcos enquanto enfrenta o próprio medo e o tumulto dos bastidores. Já Poeira de Estrela, dirigido por Gabriel Chemin, acompanha uma jovem durante uma viagem ao campo, na tentativa de revelar um segredo ao namorado, enquanto as percepções e emoções parecem ser afetadas pelo tempo. As duas produções utilizam o drama, o suspense e elementos psicológicos para abordar sentimentos como medo, insegurança e dificuldade de comunicação.
A diversidade entre os filmes também chama atenção. Embora produzidos pelo mesmo coletivo em PG e na mesma cidade, eles não se limitam a uma única forma de fazer cinema. A variedade demonstra que o audiovisual produzido em Ponta Grossa pode explorar diferentes gêneros e histórias, inclusive aquelas que tratam de experiências universais, sem necessariamente se restringir a temas diretamente ligados à realidade local.
Interlúdio e Poeira de Estrela representam não apenas duas produções independentes, mas também o fortalecimento do cinema feito na cidade. O incentivo da Lei Paulo Gustavo demonstra a importância das políticas públicas para viabilizar iniciativas culturais e permitir que coletivos como o Inajá desenvolvam os projetos autorais. Mais do que contar histórias, os curtas ajudam a mostrar que Ponta Grossa também pode ser espaço de criação, experimentação e produção cinematográfica.
Por Maria Eduarda Leme
Entre sentimentos, escolhas e diferentes ritmos, uma Batida do Coração
Com oito faixas pareçam disco aborda diversos temas
O lançamento do álbum Batida do Coração, de Gui Augustto, apresenta ao público um trabalho que utiliza o pop como base e explora diferentes influências musicais, como soul, MPB e black music. Com oito faixas, o disco aborda temas como amor, conflitos, superação, liberdade, escolhas, família, amizade e questões sociais, incluindo o racismo.
A inspiração para as músicas parte de histórias ouvidas, experiências vividas e situações percebidas na sociedade. Cada faixa conta uma história diferente, apesar das diferenças entre os temas, as oito músicas foram construídas para conversar entre si e complementar ao longo do álbum.
Crédito: Reprodução
Logo na faixa-título, Batida do Coração, o álbum coloca as emoções no centro da proposta. A sequência passa por diferentes perspectivas em Caos de Emoções e Em Nossa Frente, enquanto Quem Manda apresenta uma abordagem afirmativa. Já Erga os Punhos amplia a temática do disco ao tratar de força e superação.
Em vez de estabelecer um único gênero para todo o álbum, cada música encontra uma sonoridade de acordo com a história que pretende contar. Uma composição pode seguir um caminho pop, enquanto outra pode se aproximar do soul ou da MPB. A escolha permite que as diferentes referências musicais convivam no mesmo projeto.
A variedade, não faz com que as faixas pareçam desconectadas. Os diferentes estilos acompanham a diversidade de histórias presentes no disco e ajudam a construir uma identidade musical marcada pela mistura. As músicas apresentam características próprias, entre si.
Nas letras, Gui Augustto divide a autoria com Gueg e Silvia Almeida. O álbum também conta com a participação de MC PA e com Lucas Alcântara nos backing vocals. As colaborações contribuem para ampliar as possibilidades do projeto e acompanham a proposta de reunir diferentes experiências e referências em um mesmo trabalho.
Erga os Punhos se diferencia das faixas mais voltadas aos relacionamentos ao trazer uma abordagem relacionada à superação. Nós Dois e Feitos para Amar retomam o universo das relações e dos sentimentos, enquanto Espelhos encerra o álbum dentro da proposta de percorrer diferentes experiências humanas.
O resultado é um trabalho construído a partir de diferentes histórias e estilos que se complementam. Entre o pop, a black music, o soul e a MPB, Batida do Coração transforma experiências relacionadas ao amor e à sociedade em oito faixas que se conectam entre entre si.
Por Ticyane Almeida
Entre a curiosidade e o desconforto
O principal mérito da exposição está justamente em não transformar a morte em espetáculo. O ambiente provoca curiosidade, mas também desconforto,uma reação quase inevitável diante de elementos reais do corpo humano. A restrição de idade, a proibição de fotografias e a necessidade de mediação demonstram que o conteúdo exige responsabilidade e preparo do visitante.
Mais do que mostrar como uma autópsia é realizada, a exposição apresenta a importância da ciência forense para compreender mortes e crimes. Nesse sentido, o espaço funciona como uma espécie de sala de aula sobre aquilo que poderia parecer apenas macabro, que ganha contexto histórico e científico.
Crédito: Divulgação
Por outro lado, justamente por lidar com restos humanos, a exposição poderia despertar discussões ainda mais profundas sobre ética, dignidade e a história das pessoas por trás daqueles corpos. É nesse ponto que “Aula de Anatomia” se torna mais interessante. Ao olhar para a morte, o visitante também é levado a pensar sobre a vida.
No fim, a exposição cumpre seu papel ao provocar mais perguntas do que respostas. É desconfortável, curiosa e acima de tudo educativa, uma experiência que transforma o medo da morte em oportunidade de conhecimento.
Serviço: O Museu Campos Gerais é um museu brasileiro localizado na cidade de Ponta Grossa, no estado do Paraná, sendo administrado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa e está localizado na Rua Engenheiro Schamber, 654.
Por Nathalia Stüpp
Ficha Técnica
Autores: Emanuelle Pasqualotto, Lucas Jolondek, Maria Eduarda Leme, Nathália Stüpp, Pietra Gasparini e Ticyane Almeida.
Supervisão de Produção: Paula Melani Rocha e Sérgio Luiz Gadini
Edição e publicação: Emanueli Paini e Yasmin Salgado
Supervisão Técnica: Athon Gallera e Felipe Galvão
Supervisão de publicação: Aline Rosso e Muriel Amaral
Contato: periodico@uepg.br