Projeto na CDH criminaliza 'tratamentos de transexualização' em menores
Da Agência SenadoFonte: Agência Senado
Em reunião nesta quarta-feira (28), às 11h, a Comissão de Direitos Humanos (CDH) deve apreciar um projeto de lei que torna crime a realização de procedimentos de afirmação de gênero em menores de 18 anos.
O PL 501/2023 acrescenta dispositivo ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), para punir com reclusão de 12 a 20 anos e multa quem realizar em crianças ou adolescentes o que o texto chama de “cirurgias de transexualização”.
O texto prevê ainda reclusão de 8 a 12 anos e multa para quem submeter menores a métodos não cirúrgicos, incluindo terapia hormonal, acompanhamento psicológico ou o “ensino educacional voltado ao tratamento de transexualização”.
Se os procedimentos não-cirúrgicos criminalizados no texto tiverem sido praticados dentro de uma instituição de ensino, a pena é aplicada em dobro, podendo ocorrer a interdição ou cassação do funcionamento da escola.
O projeto, do senador Magno Malta (PL-ES), recebeu relatório favorável do senador Jorge Seif (PL-SC).
Para o autor do projeto, é necessário “prever instrumentos legais (...) de forma a impedir que as crianças e adolescentes, que estão em evidente estágio de formação, sejam submetidas a tratamentos com efeitos imprevisíveis e, muitas vezes, definitivos em suas vidas”. O relator, por sua vez, argumenta que a medida se alinha às normas do Conselho Federal de Medicina (CFM).
Atualmente, hormônios e cirurgias para crianças e adolescentes são vedados por uma resolução de 2025 do CFM, que sujeita o médico infrator a sanções éticas e disciplinares. Entidades de defesa das pessoas trans pedem ao Supremo Tribunal Federal (STF) que restabeleça as regras anteriores, que permitiam o bloqueio da puberdade, a hormonização a partir dos 16 anos e a cirurgia a partir dos 18.
No Sistema Único de Saúde (SUS), o chamado Processo Transexualizador, que existe desde 2008, prevê a possibilidade de hormonioterapia a partir dos 18 anos e de cirurgia a partir dos 21. Entre 2014 e 2023 foram realizados 690 procedimentos cirúrgicos desse tipo no país, segundo dados obtidos junto ao Ministério da Saúde pela agência de notícias Diadorim, voltada para a população LGBTQIA+.
Depois da CDH, o projeto ainda terá que ser apreciado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Acolhimento emergencial
Na mesma reunião, a CDH deve votar o PL 1.341/2026, que muda as regras para o acolhimento emergencial de crianças e adolescentes, quando eles são tirados da família às pressas para sua proteção.
Hoje, o ECA não obriga o juiz a ouvir as partes antes de confirmar o acolhimento. Para o autor do projeto, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), isso pode tornar o acolhimento quase automático e enfraquecer o direito de defesa da família.
Pelo projeto, ao ser avisado do acolhimento, o juiz deve ouvir o Ministério Público e o Conselho Tutelar. Se concluir que não há motivo legal para manter a criança afastada, deve tomar medidas imediatas para que ela volte para casa.
Se a volta imediata não for possível, o juiz terá de marcar uma audiência com prioridade absoluta. Nela serão ouvidos os pais, parentes próximos, a própria criança ou adolescente, o Conselho Tutelar e o Ministério Público.
O relator, senador Flávio Arns (PSB-PR), deu parecer favorável. Para ele, o projeto atualiza o ECA, amplia o controle da Justiça e protege a convivência familiar e o direito de defesa, sem atrasar a resposta em casos urgentes.
Depois da CDH, o texto segue para a CCJ, que pode dar decisão final.